Professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Doutor em Física Nuclear pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica-ITA.
Publicado em 16/06/2023
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Por Bruno Simões de Oliveira dos Santos
"Jorge Henrique de Oliveira Sales é professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Doutor em Física Nuclear pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica-ITA. Pós-Doutor em Física Teórica pelo Instituto de Física Teórica-UNESP, Mestre em Teoria de Campos em Espaço Curvo pelo Instituto de Física Teórica de São Paulo e Bacharel em Física pela Universidade Federal do Pará. Atualmente é Professor permanente dos Programas de Pós-Graduação em Modelagem Computacional em Ciência e Tecnologia - PPGMC e do Programa Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para inovação - PROFNIT. Na área de tecnologia possui alguns projetos com patente. A patente mais recente a qual é um dos inventores foi expedida em 19/10/2021, com o título, secador de cacau vertical.
O Centro de Inteligência do Cacau (CICacau) convidou o prof. Jorge Sales para uma entrevista sobre o secador de cacau vertical."
1) O que dificultou conseguir a patente do secador de cacau vertical do cacau?
A parte de escrita da patente foi o principal desafio. Conhecer leis, regras e normas do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), porque a escrita da patente é muito típica do INPI não tendo similaridade com as normas da ABNT, disse o prof. Jorge Sales. Temos ainda tempo para avaliar a patente, em médio leva uns 6 anos.
Outra dificuldade foi como apresentar o desenho do secador de cacau vertical para avaliação do INPI.
Com o passar do tempo esta dificuldade foi diminuindo. O NIT facilita, pois dá treinamento para escrever a patente sobre as normas do NPI, diminuindo o tempo para escrita. Esse treinamento do NIT facilita e agiliza a escrita para solicitação da patente.
Além disso, desenvolver um projeto requer financiamento e há dificuldades de parceiras com empresas. Então ficamos diante apenas das fundações estaduais ou federais de financiamento. É muito pouco recurso.
A falta de continuidade das parcelas do financiamento por parte das agências de fomento também dificulta o processo.
Precisamos de apoio para desenvolver a tecnologia.
As políticas de Estados devem ser direcionadas para projetos que impulsionam a inovação na cacauicultura.
O Estado não está usando sua potencialidade para produção do cacau.
Mas, esta dificuldade relacionada com o financiamento dos projetos está diminuindo ao longo dos anos.
Falta apoio para colocar a inovação no mercado, bem como para aproximar empresas e associações, para promover o protótipo criado na universidade e este ser um protótipo de uso.
Então, é difícil também colocar no mercado a inovação, torná-la conhecida. Na região, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico em Informática e Eletroeletrônico (CEPED) é um canal que pode ajudar nesse sentido. O Centro de Inovação do Cacau (CIC) na UESC, a Fábrica de chocolate, o CICacau podem favorecer a divulgação da inovação e o comércio.
Cabe ressaltar que existe forte pesquisa nas áreas tecnológicas que resultam em teses, dissertações, artigos científicos. Portanto, os nossos alunos são nossos principais beneficiados.
2) Quais os benefícios do secador de cacau vertical do cacau em relação à barcaça?
Com a barcaça são 7 a 10 dias para secar as amêndoas se não chover.
Com o secador de cacau vertical do cacau este tempo da secagem diminui para 3 a 4 dias.
Com o secador vertical a secagem é por igual não precisa ficar mexendo as amêndoas e há controle da temperatura de secagem. Consequentemente não tem prejuízo com a amêndoa.
Custo do secador é menor e tem mais capacidade para maior quantidade de amêndoas.
3) O projeto do secador de cacau vertical do cacau contou com apoio/financiamento?
Sim. Da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e UESC.
4) O secador de cacau vertical do cacau é acessível ao pequeno produtor?
Toda tecnologia desenvolvida por nós na UESC eu classifico como tecnologia social e permite a transferência para os mais inacessíveis. Porém, o pequeno produtor precisa se juntar com uma associação ou ter apoio do Estado para a tecnologia ficar mais acessível a eles.
A Primeira patente inteiramente da UESC sobre o cacau foi o secador de cacau vertical. Agora, dia 28/06/23 será construído pela EMBRAPA de Manaus para divulgar aos agricultores familiares do Amazonas.
5) Quais os outros projetos de inovações que já coordenou?
No artigo científico “Modelagem Computacional Contribuindo para Desenvolvimento da Agricultura Cacaueira”, publicado na Revista Vetor da Universidade Federal do Rio Grande, em 2022, podem ser verificadas as outras tecnologias desenvolvidas como o sistema auxiliar de secagem e o Sistema eletrônico para controle de biodigestores.
O artigo completo está disponível em https://periodicos.furg.br/vetor/article/view/14191
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