Prof. Francisco é graduado em Ciências Econômicas pela UESC
Publicado em 18/02/2026
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Por Bruno Simões de Oliveira dos Santos
"Prof. Francisco é graduado em Ciências Econômicas pela UESC, Mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Doutor em Ciências Sociais, Agricultura, Desenvolvimento e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ/CPDA). Desenvolve projetos de pesquisa, capacitação e cooperação sobre desenvolvimento regional e redes sociais. E, já publicou vários trabalhos relacionados com a cacauicultura brasileira."
1) CICacau: Quais políticas públicas poderiam impulsionar a cacauicultura no Brasil?
Francisco Mendes Costa: A ressureição e institucionalização da CEPLAC, que é ainda possui o melhor acervo de laboratórios, instalações, Estações Experimentais e de técnicos reunidos em torno de um cultivo único no Brasil . Efetivá-la como órgão ou autarquia que tenha autonomia para condução de um orçamento capaz de gerir programas e ações para a cacauicultura nacional com ênfase em pesquisa e extensão, que sofreram interrupção e perderam ressonância junto ao cacauicultor. Refinanciamento do passivo do cacau com liberação de novos créditos agrícolas. Retorno do Penhor Agrícola e do Investimento em novos plantios, bem como de construção em instalações de beneficiamento e habitação de trabalhadores.
2) CICacau: Quais os principais problemas da cacauicultura brasileira?
Francisco Mendes Costa: A comoditização do cacau dependente dos preços transacionados em bolsa de mercadorias internacionais; A baixa qualificação do produtor, que se eternizou como coletador do fruto; Pouca cultura associativa e empreendedora do produtor;
3) CICacau: A que você atribui a falta de políticas públicas consistentes na solução dos problemas da cacauicultura?
Francisco Mendes Costa: A falta de representação politica ou de políticos comprometidos com a crise que se estabeleceu nas principais regiões produtoras, notadamente o sul da Bahia, principal região produtora do país e a falta de coesão do produtor no estabelecimento de prioridades para o cultivo;
4) CICacau: Considera importante para a cacauicultura a existência de uma bancada do cacau na Assembleia Estadual e Nacional?
Francisco Mendes Costa: Não se evidenciou o surgimento de lideranças regionais do cacau, após a crise da vassoura-de-bruxa. Antes havia o CNPC, órgão de representação da lavoura, que motivou o aparecimento de vários produtores que despontavam como líderes na resolução das diversas crises passadas. Deixaram o órgão desaparecer, e o que é pior, a sede do órgão foi absolvida pelo Poder Judiciário Federal sem a menor contrapartida para os produtores.
Com esse cenário, pode-se advinhar que se alguém não se preocupa com a sua representação local, tão pouco não dará importância para uma representação maior. Os Sindicatos Rurais patronais perderam força, praticamente perderam a funcionalidade representativa, alguns deixaram de existir. Existe uma cultura eleitoral dispersa e oriunda da tradição coronelista. Não há preocupação em fortalecer o poder politico do produto a nível nacional (congresso, governo da União). Não se elege bancadas representativas do produto. O cacau só se tornou importante no passado pela sua força econômica, era expressivo na formação da pauta de exportação, portanto, valioso como participante do Balanço de Pagamentos. Assim naturalmente, o governo necessitava proteger o produto, pois ele era indispensável para as contas nacionais, agora que perdeu essa magnitude, o governo faz de conta que o cacau existe, a lavoura não tem representantes no Congresso, que façam reivindicações junto ao governo central. Mesmo assim, passadas quase 03 décadas da crise o produtor de cacau e as frágeis lideranças jamais se articularam para fazer uma campanha de esclarecimento regional para que se votasse em candidatos da região comprometidos em defender a lavoura cacaueira.
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