Entrevista

Entrevista com Giuliana Aparecida: Governança e inovação social na cadeia produtiva do cacau certificado no Brasil: um caminho para a sustentabilidade?

G

Giuliana Aparecida Santini Pigatto

Professora do Programa de Pós-graduação em Agronegócio e Desenvolvimento da UNESP de Tupã; Pesquisadora do CEPEAGRO (Centro de Pesquisa em Administração e Agronegócios)

Publicado em 11/06/2015
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Por Bruno Simões de Oliveira dos Santos

"A Profa. Giuliana possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de São Carlos e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de São Carlos. É docente em Regime de Dedicação Integral à Docência e Pesquisa pela Universidade Estadual Paulista, Campus de Tupã (CET); Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Cadeias Produtivas e Estudos Industriais, atuando principalmente nos seguintes temas: Inovação tecnológica e sustentabilidade, Estratégias e organização de cadeias produtivas, e comércio internacional. Atualmente, a professora coordena o projeto de pesquisa “Governança e inovação social na cadeia produtiva do cacau certificado no Brasil: um caminho para a sustentabilidade?”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo."

1- CICacau: Qual o objetivo do projeto? Profa. Giuliana: O objetivo principal é o de analisar se as estruturas de governança estabelecidas na cadeia produtiva do cacau certificado (de sustentabilidade, orgânica) e com registro de indicação geográfica no Brasil, no tocante aos segmentos de produção agrícola e processamento trazem impactos favoráveis à sustentabilidade do sistema em termos econômico e de eficiência das transações, produtivo, ambiental e social. 2- CICacau: Qual metodologia será utilizada? Profa. Giuliana: Será utilizado o método de pesquisa de campo, a ser desenvolvido: a) com produtores de cacau que possuem a certificação (do tipo UTZ, orgânica e Rainforest Alliance) – localizados no estado da Bahia, e seus agentes compradores que processam o produto, seja para exportação ou mercado interno; b) com produtores de cacau de certificação de indicação geográfica localizados no estado do Espírito Santo, e seus agentes compradores. Visando aprofundar o entendimento acerca das fontes de informação para as ações de melhorias/ inovações tecnológicas por parte dos agentes produtores será utilizada como ferramenta o software UCINET (Borgatti, Everett e Freeman, 2002) para auxiliar na análise e descrição das interações dos produtores e agentes externos. Para a precisão do nível de incerteza estabelecida entre os agentes produtores e compradores será utilizado o método quantitativo, por meio da aplicação de um sistema baseado em regra fuzzy para indicar o nível de incerteza relacionado à transação comercial entre agentes produtores e vendedores. Para a operacionalização da pesquisa foi desenhado uma rede de parcerias e que envolve instituições da Cadeia produtiva do Cacau, como Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau, Instituto Cabruca, Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia) e Associação de Cacauicultores de Linhares (ACAL), de modo que se possa ter também os contatos dos agentes a serem investigados. A pesquisa é financiada pelas agências de fomento FAPESP e CNPq. 3- CICacau: Quais os resultados esperados com a pesquisa? Profa. Giuliana: Explorar e evidenciar “possíveis” arranjos de coordenação entre agentes de cadeias produtivas e que visem práticas mais sustentáveis no sentido, não somente, econômico, como também ambiental e social. Tais modelos de produção/ coordenação poderão servir de referência para as organizações e/ ou instituições públicas e privadas do agronegócio, como associações, cooperativas, entidades de pesquisa e extensão, e outras, ao estímulo para a coordenação de agentes nas mais diversas cadeias produtivas do agronegócio brasileiro. Ao tratar de inovação no sentido mais amplo, sistêmico, esta pesquisa também contribuirá com evidências para a literatura nacional e internacional, a respeito de inovação social no setor do agronegócio. Tema esse que ainda demanda investigação por toda a comunidade científica e que vai além de uma inovação meramente tecnológica e de retorno econômico. Também do ponto de vista científico esta proposta vem contribuir com a avaliação, diagnóstico e proposição de melhorias para uma cadeia produtiva que se mostra latente em necessidade de desenvolvimento. 4- CICacau: Em sua opinião, qual o caminho para a sustentabilidade na cadeia produtiva do cacau? Profa. Giuliana: Acredito que seja do ponto de vista produtivo, a partir de aspectos da qualidade, ou seja, independente de uma produção certificada ou se com registros de indicação geográfica, os níveis de qualidade tenderão a ser aprimorados. Um fator, também crucial, é do ponto de vista organizacional, ou seja, redes de relacionamento entre os diversos agentes da cadeia produtiva para objetivos e resultados comuns, não somente econômico, mas inclusive no social e ambiental. Alguns exemplos importantes já podem ser observados a nível internacional e nacional nesse sentido, creio que na cadeia produtiva do cacau esse modo organizacional de interação, troca de conhecimentos de informação, desenvolvimento de inovações no campo e outras esferas, e abertura de mercados é que poderão garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva de cacau a médio e longo prazo.

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