Entrevista com Cheila Tatiana: Agroindústria do Chocolate no Sul da Bahia: Desafios, Perfil e Perspectivas
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Cheila Tatiana de Almeida Santos
Publicado em 01/12/2020
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Por Bruno Simões de Oliveira dos Santos
"Possui graduação em Administração pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1998), Especialização de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, Pós Graduação em Consultoria de Empresas -UESC, Mestre em economia Regional e Políticas Públicas -UESC . Tem experiência na área de Administração, Docência e Palestrante. No mestrado desenvolveu uma pesquisa sobre a agroindústria do cacau."
1 Como está o desempenho da agroindústria do chocolate nos últimos anos?
Quando se fala em profissionalização das atividades, o negócio agroindústria do chocolate no Sul da Bahia ainda é incipiente, embrionário, mas com muito potencial, para o mercado interno e, sobretudo, para o mercado externo, acostumado a pagar um preço mais elevado por um chocolate diferenciado como o que nos propomos a fabricar aqui no Sul da Bahia.
2 Qual é o perfil dos empreendedores da agroindústria do chocolate do Sul da Bahia e qual o perfil dessa agroindústria.
Para esta análise foram observados vários pontos para caracterizá-lo:
No quesito gênero, temos uma diferença pequena entre os sexos, primeira característica que chamou a atenção da pesquisadora, pois o cacau tinha em sua totalidade homens a frente do negócio. Em relação à faixa etária, é interessante observar que a maior parte dos empreendedores pesquisados está na meia idade, visto que a média de idade foi de 52 anos. Ressalta-se que o participante mais velho tem 70 anos, enquanto o mais jovem possui 24 anos de idade, sendo, inclusive, o único empreendedor com idade inferior aos 30 anos. Ao se analisar as informações referentes ao tempo, acrescentando-se os valores monetários recebidos somente do próprio negócio, observou-se que se trata de empreendedores nascentes, neste caso, empreendimentos envolvidos na estruturação de um novo negócio que ainda não proporcionou retornos financeiros suficientes para pagar um pró-labore.
Os dados ainda evidenciam que, em sua maioria, o setor da agroindústria do chocolate é constituído por empreendedores por oportunidade. No que se refere à procedência, nota-se que uma predominância de pessoas do município de Ilhéus e em relação ao estado civil dos empreendedores, houve predominância de pessoas casadas.
Ao analisar a renda total dos participantes, fica evidente uma inclinação entre cinco e oito salários-mínimos salientando que esta renda ainda não provém do negócio agroindústria do chocolate. Característica típica dos empreendedores, qual seja: não visam somente a recompensa financeira, mas, também, o desenvolvimento do sonho, acompanhada pela determinação desses desbravadores face às adversidades em um negócio novo e ainda sem grandes perspectivas de rendimento. Em relação ao grau de escolaridade, foi observado que 54,54% dos entrevistados têm nível superior, outra dicotomia com o cacau que tinha em sua maioria índices baixíssimos de escolaridade. Estas são as principais características do perfil deste empreendedor.
3 A agroindústria do chocolate do Sul da Bahia é eficiente, inovadora e competitiva?
De acordo observação da pesquisa, este modelo de negócio tem muito a aprender para se tornar inovadora, eficiente e competitiva. Mas a boa notícia é que como identificamos um perfil empreendedor por parte dos que estão produzindo o produto chocolate, é certo que nos próximos anos poderemos ter, sim, esses três componentes tão importantes no cenário comercial de qualquer produto.
4. como impulsionar a agroindústria do chocolate brasileira?
Para esse impulso é necessário o tripé: Governo (políticas públicas), crédito e o terceiro setor.
O modelo de negócio agroindústria do chocolate no Sul da Bahia está entregue à própria sorte e é preciso que tenha um olhar especial, principalmente do setor público, pois poderá alavancar toda uma região que foi literalmente destruída, tanto economicamente como socialmente, com a monocultura do cacau.
Diferentemente do negócio cacau, o que o pequeno produtor de chocolate precisa é de crédito com juros mais baixos que os atuais, de forma que possa montar sua fábrica, investir em marketing, gestão, vendas, enfim, colocar o negócio para funcionar de forma profissional. A principal política do setor público para emplacar o negócio é a aprovação da lei que traz o percentual mínimo de cacau na produção do chocolate
5. Quais as ameaças e oportunidades para a agroindústria do chocolate nos próximos anos?
Ameaças:
Falta de gestão profissional - Gestão estratégica, financeira e marketing;
Falta de união dos atores locais;
Questões climáticas e fitossanitárias podem afetar a produção de cacau baiana, impactando diretamente na produção e comercialização de chocolates gourmet;
Crédito;
Crise econômica, em especial com a pós pandemia, e inflação que impactam no poder de compra dos consumidores. Como o chocolate gourmet é um produto com alto valor agregado, ele pode ser menos consumido nesse contexto.
Oportunidades:
O consumo de chocolate no mundo vem aumentando, inclusive no Brasil – 3º maior mercado de chocolate no mundo, em especial a expansão pelo consumo desse chocolate fino.
Produto diferenciado das grandes indústrias produtoras por apresentarem alta concentração de chocolate e essa é a exigência do consumidor atual.
Já detém a matéria-prima, não ficando refém das oscilações de oferta do mercado, pois, quando os preços do cacau se elevam muito no mercado internacional, esses empreendedores teriam dificuldade em adquirir o fruto.
Novos modelos de negócio para comercialização do produto, como clubes de assinatura, por exemplo.
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